O Crescimento da Extrema-Direita na Europa e suas Consequências
- 17 de abr. de 2017
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Artigo de Opinião por Giovana Carneiro e Maria Estela M. Kieling.

Torre Eiffel - França | Pixabay
As eleições europeias têm servido para demonstrar um ganho de espaço da extrema direita na Europa. O velho continente vem sofrendo com questões extremamente delicadas, como a entrada de refugiados e os acontecimentos de ataques terroristas.
A extrema direita europeia é historicamente ligada à questões de racismo e xenofobia. Esse fenômeno nos remete à Segunda Guerra Mundial, em que houve a ascensão de partidos fascistas – na Itália com Mussolini e na Alemanha, com Hitler -, ambos países que possuíram as mais célebres oposições. Não exclusivas, situações parecidas ocorreram também da Espanha, com o Franquismo, em Portugal com o Salazarismo. Apesar de todos esses movimentos serem considerados extremistas, não são de modo algum uniformes, sendo em cada país com uma particularidade.
Voltando aos partidos de extrema direita dos dias de hoje, a maioria deles têm ou reivindica origens na Segunda Guerra Mundial. O sentimento antissemita e a xenofobia são rastros que não foram apagados da Europa e ressurgem com o processo de globalização capitalista, com o dito processo de homogeneização cultural forçado. Um episódio que pode ser considerado o estopim para a popularização da extrema direita foi a crise na Europa, popularmente chamada de PIIGS, que atingiu em cheio o continente e levou à medidas de austeridade em diversos países locais.
Porém, cada caso é específico. O processo de ressurgimento da extrema direita em alguns países, o fator da Primavera Árabe - onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos do mundo árabe que eclodiu em 2011, com raízes no agravamento da situação dos países, provocado pela crise econômica e pela falta de democracia - e o terrorismo são habilmente manipulados, tornando-se fortes argumentos.
Entretanto, as razões econômicas, como desemprego e a queda na qualidade de bem-estar social - dentre alguns problemas podemos citar altos níveis de desemprego, inadimplência e retração da atividade econômica - para alguns também é instrumento para propagar o ódio e o medo de refugiados.
Sendo assim, parece razoável dizer que, de acordo com as observações do crescimento da extrema-direita em 2016, como o resultado do referendo pelo Bréxit e a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, é provável que continuem em 2017. Os maiores exemplos disso são a Alternativa para a Alemanha (AfD) como principal força da extrema direita na Alemanha, e o Aurora Dourada, partido neonazista da Grécia, ambos com um enorme crescimento de membros no parlamento europeu.
Na Polônia, país que sofreu ao longo de sua história com invasões sucessivas e conflitos especialmente na Segunda Guerra Mundial - momento histórico em que foi invadida pela Alemanha nazista, e logo depois da guerra veio a se tornar uma zona de influência da extinta URSS. Todos esses fatores corroboram - porém não justificam - com a Ascensão do PiS (partido de extrema direita) e o suporte popular que o mesmo tem recebido, já que em 2015 venceu as eleições presidenciais, com 52% dos votos e após vencer democraticamente o partido vem tomando uma série de medidas de censura à televisão estatal, à demissão de dissentes e ao controle de informações que circulam no país, tornando o Estado Polonês extremamente antidemocrático e aversões a cooperação com medidas da União Europeia, com relação à cota dos refugiados.
Já no caso da França, com eleições presidenciais em abril de 2017, a situação é mais complexa. Atualmente, Marine Le Pen, a maior representante da extrema-direita na Europa, lidera os votos com 26%. O atual cenário repleto de notícias negativas contra seus adversários, garante a vitória de Le Pen, preocupando os líderes europeus. Se concretizada, a candidata pode cumprir sua promessa de tirar a França da União Europeia, representando a saída de duas das três maiores economias do bloco. Esta é uma clara insatisfação com a política dos refugiados que, se expandida pelo continente, pode resultar no fim da UE.
Por outro lado, no último dia 15 a Holanda derrotou o populismo e a xenofobia nas urnas, elegendo o primeiro-ministro liberal Mark Rutte e mostrando que o candidato racista e antieuropeu, Geert Wilders, não obteve tanto resultado como se esperava. Porém, ainda sim o eleito terá que lidar com Wilders e suas ideias de fechar as fronteiras e retirar o país da União Europeia como forte oposição no parlamento.
Não obstante, as tensões do ressurgimento destes partidos e a organização da União Europeia mostram que o bloco, de cunho criado e construído de modo democrático, não se adapta a modos de governo de extrema direita, sofrendo com o risco de uma dissolução por parte de um nacionalismo exacerbado e acirramento de conflitos entre países que adotam este modelo como modo de se proteger da crise econômica e dos refugiados.
Por fim, para as consequências humanas, podemos tratar do xenofobismo como principal causa para um fundamentalismo universal e protecionismo dos países com a crise dos refugiados. Apesar de a UE, em 1997, ter criado o Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia, ainda há muito o que se avançar no velho continente no que diz respeito à intolerância social e política para com estrangeiros.
Giovana Carneiro e Maria Estela M. Kieling, Acadêmicas de Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília.









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